The one that Got Away
Ao contrário do comportamento habitual, ele não apareceu.
Diariamente, após minha terceira ou quarta chamada, lá estava ele, chegando ...aparecendo e se escondendo de mim ao mesmo tempo.
Até aquele dia.
Até aquela noite..... onde ele finalmente não apareceu.
Eu....
Usufruindo de toda minha pseudo-serenidade e equilíbrio emocional para não entrar em pânico continuei esperando.
Fazendo uso da minha voz mais carinhosa....e do pacote de tirinhas mais deliciosas do mundo....continuei esperando.
Mas onde fica o limite da esperança e inicia o espaço da batalha?
Quando é que se espera....e quando é que se deve ir ao encontro?
Foi ali que eu descobri o meu.
Coloquei um moletom surrado e fui pra rua...mangas arregaçadas...cabelo bagunçado....lá fui eu.....procurar por ele.
Na minha primeira extensão de visão já o localizei acuado,assustado..... escondidinho no cantinho escuro.
Reconheceu minha voz e me respondeu.
E se fosse possível traduzir, seria algo mais ou menos assim:
" Tenho medo....e é de você..."....
Isso.
Nosso reencontro poderia ser triunfal, cheio de encanto e amor desmedido e incondicional.
Mas não...
Ele tinha medo....e o medo era de mim.
Foi assim que meu Felis silvestris catus, me deu um grande ensinamento sobre as relações humanas.
" Se você me tratar de modo que eu possa ter medo de você, eu não vou confiar...é justamente isso que sentirei.....medo.....".


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