Terça-feira, Novembro 08, 2011

The one that Got Away



Ao contrário do comportamento habitual, ele não apareceu.


Diariamente, após minha terceira ou quarta chamada, lá estava ele, chegando ...aparecendo e se escondendo de mim ao mesmo tempo.

Até aquele dia.

Até aquela noite..... onde ele finalmente não apareceu.

Eu....

Usufruindo de toda minha pseudo-serenidade e equilíbrio emocional para não entrar em pânico continuei esperando.

Fazendo uso da minha voz mais carinhosa....e do pacote de tirinhas mais deliciosas do mundo....continuei esperando.

Mas onde fica o limite da esperança e inicia o espaço da batalha?

Quando é que se espera....e quando é que se deve ir ao encontro?

Foi ali que eu descobri o meu.

Coloquei um moletom surrado e fui pra rua...mangas arregaçadas...cabelo bagunçado....lá fui eu.....procurar por ele.

Na minha primeira extensão de visão já o localizei acuado,assustado..... escondidinho no cantinho escuro.


Reconheceu minha voz e me respondeu.

E se fosse possível traduzir, seria algo mais ou menos assim:

" Tenho medo....e é de você..."....


Isso.

Nosso reencontro poderia ser triunfal, cheio de encanto e amor desmedido e incondicional.

Mas não...

Ele tinha medo....e o medo era de mim.

Foi assim que meu Felis silvestris catus, me deu um grande ensinamento sobre as relações humanas.


" Se você me tratar de modo que eu possa ter medo de você, eu não vou confiar...é justamente isso que sentirei.....medo.....".


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